CAMINHOS PARA O DESENVOLVIMENTO DO SHUAIJIAO NA CHINA

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Para o contínuo desenvolvimento do Shuaijiao na China e consequentemente no mundo os professores e organizações chinesas tem grandes desafios. No programa Chá de Shuaijiao do canal de mídia Xin Huiwen de Beijing, os Mestres Lian Dejin e Ma Jianguo respondem a algumas dessas questões que se impõem ao Shuaijiao na atualidade. Além de explicar diversos outros pontos sobre o shuaijiao como, características técnicas, treinamentos, ensino e competições. Vejam a entrevista completa no link clicando AQUI.

O EFEITO PERVERSO DA FORMAÇÃO FAST FOOD NO SHUAIJIAO BRASILEIRO (PARTE 2)

Como vocês podem perceber esse tema tem muitos desdobramentos e, para melhorar o diálogo, preferi dividir o texto em partes. Nessa segunda parte vou abordar algumas questões que são periféricas ao problema da formação Fast Food no Brasil, especificamente no Shuaijiao. Começo enumerando essas questões e depois vou explorar cada uma delas. São elas:

  • O tempo necessário para o aprendizado se consolidar;
  • A relação necessária entre professor e aluno;
  • A presunção que saber algum estilo de kungfu é pré-requisito ou autoriza alguém a ensinar Shuaijiao;
  • E o efeito deletério do ensino quando aquele que pretende ensinar não tem os requisitos fundamentais para ser um professor de Shuaijiao.

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O EFEITO PERVERSO DA FORMAÇÃO FAST FOOD NO SHUAIJIAO BRASILEIRO

Já tem algum tempo que não escrevo um post por aqui. Estou muito envolvido com o projeto da Confederação Brasileira de Shuaijiao (CBShuaijiao). Mas, nos últimos tempos tenho percebido um fato recorrente nos praticantes de Shuaijiao no Brasil que me instigou a escrever este aqui. A insegurança e as dúvidas sobre o conteúdo do Shuaijiao aprendido nos cursos de fim de semana no Brasil pelos “professores” formados nesses cursos.

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O SHUAIJIAO ASSUMINDO O SEU PROTAGONISMO NO BRASIL

 

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Desde de o ano de 2000 quando iniciei o trabalho com a arte marcial chinesa com o Mestre Nereu Graballos na Confederação Brasileira de Kungfu Wushu (CBKW), já conversávamos sobre o desenvolvimento de uma nova frente com o Shuaijiao no Brasil. Essa ideia ficou em vida latente até o ano de 2004 quando fundamos o Departamento de Shuaijiao da CBKW. A ideia era difundir o Shuaijiao no Brasil de forma organizada, visto que não havia muitos praticantes da modalidade em território nacional. Sendo mais específico, muito poucos mesmo tinham algum conhecimento concreto sobre essa modalidade. Se não eram alunos do Professor Roberto Batista ou do Professor Li Wing Kay, somente tinham a ideia sobre a modalidade a partir de vídeos na internet ou de ouvir falar. Continuar lendo

SHUAIJIAO TRADICIONAL VERSUS SHUAIJIAO ESPORTIVO: UM FACTÓIDE CRIADO NO BRASIL

Marcelo Moreira Antunes

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Capa do livro Bainien Jingjiao. Autobiografia do Mestre Li publicada em 2015.

Para começar a discutir o Shuaijiao no Brasil é necessário recuperar a memória de sua introdução e seu desenvolvimento por aqui. Iniciando-se durante a primeira metade da década de 1990, pelas mãos dos professores Roberto Batista e Li Wingkay, ambos pela linhagem do Mestre Chang Dongsheng, de Taiwan, via Estados Unidos da América (EUA). O Professor Roberto, também conhecido como Betão, aprendeu Baoding Shuaijiao com o mestre John Wang no Texas e o Professor Li Wingkay aprendeu Baoding Shuaijiao com o mestre Daniel Weng, também nos EUA. Ambos os mestres aprenderam com o Mestre Chang Dong Sheng em Taiwan, a partir do modelo de ensino e conteúdos que foram organizados para atender as demandas da academia de policia daquele país, após a queda da primeira república da China em 1949. Mestre Chang Dong Sheng era partidário do Kuomintang, e com a queda do regime de Chian Kai Shek, teve que fugir para Taiwan junto com alguns compatriotas. Continuar lendo

VIAGEM A BEIJING DE 2016: A CONTINUIDADE DA APRENDIZAGEM E DO TRABALHO COM O SHUAIJIAO

Marcelo Moreira Antunes

Desde o ano de 2008 iniciei minhas viagens à China, especificamente para a cidade de Beijing, para aprofundar meus estudos sobre o Shuaijiao, que se iniciaram em 1993. Sobre esse início na década de 1990 já teci alguns comentários em outros posts e também os descrevi mais detalhadamente no livro Introdução ao Shuaijiao: teoria e prática que publiquei em 2014. Assim, vou me concentrar nessa última viagem, pois ela sela alguns processos de aprendizagem e relacionamentos internacionais que se iniciaram em 2008. Entretanto, farei apenas um sumário, porque me aprofundarei nos temas importantes em futuras postagens específicas Aguardem!.

Essa viagem, última de um total de quatro, teve a duração de 25 dias entre saída e retorno do Brasil. Foram exatos 21 dias de muito aprendizado na China na companhia do meu amigo Júlio Mafra. Posso até afirmar que essa foi a melhor de todas que já realizei para meus estudos, pois, foi cheia de surpresas e novidades. Novas pessoas e lugares, novas técnicas e teorias. Novas histórias e experiências para contar. Novas amizades que se consolidaram nesses dias intensos da “Trip Shuaijiao 2016”.

Já na chegada a Beijing, tivemos uma excelente recepção do nosso amigo Gu Shen e sua simpática namorada. Jantamos em um ótimo restaurante perto da Avenida do Imperador (Qianmen Dajie).

No dia seguinte partimos para a Mongólia Interior para participarmos do Campeonato Nacional Universitário de Shuaijiao. A princípio não sabíamos que era um campeonato nacional. Pensávamos inicialmente que era um campeonato regional e não um campeonato com essa envergadura. Ficamos na cidade de Xilin Gele durante 5 dias.

Essa cidade está distante de Beijing sete horas e meia de carro em estrada muito bem pavimentada que cruza parte das estepes mongóis. Participamos dos bastidores da organização do campeonato, do curso de arbitragem que preparou os árbitros para atuarem no evento, conhecemos diversos dirigentes do Shuaijiao chinês, além de vários mestres de renome nacional e internacional. Em um post específico vou detalhar essa parte da viagem, pois ela foi muito rica e diversificada.

Voltamos para Beijing e continuamos o treinamento iniciado em Xilin Gele. Foram seções diárias de treinamento com o Mestre Ma Jianguo. Ele nos deu apenas os domingos de folga para passeios de turismo. Também tivemos aula com o Mestre Li Baoru, que inclusive nos presenteou com o seu mais recente livro, autografado, lançado em dezembro de 2014. Além do livro do mestre Li, também ganhamos o livro do mestre Tung, lançado em 2012, um dos grandes expoentes do Shuaijiao na China, que nos foi presenteado pelo mestre Ma.

Em nossos passeios por Beijing, não poderia faltar as visitas às livrarias. Nessas buscas por mais obras sobre o Shuaijiao encontramos mais dois livros novos que não conhecia. Um sobre o Shuaijiao das minorias étnicas, incluindo a mongol, publicado em 2015, e outro mais geral publicado em 2014 pela Universidade de Xian. O que pudemos perceber é que os estudos de Shuaijiao se encontram em grande intensidade, o que é uma ótima notícia para a modalidade.

Retornamos ao Brasil com a certeza de que mais um passo foi dado na direção da qualificação da prática do Shuaijiao, do estabelecimento de elos ainda mais forte com os mestres, professores e dirigentes da modalidade na China e com a concretização de amizades duradouras com os praticantes e apreciadores da modalidade. Também voltamos com a responsabilidade da continuidade do trabalho profissional que temos desenvolvido até o momento e da abertura à aqueles que desejem se aprofundar nessa prática, acreditando que ela ainda está na sua infância aqui no Brasil. Há muito a ser feito ainda para o fomento da modalidade no Brasil e para o seu desenvolvimento técnico, mas estamos engajados nessa jornada, principalmente que podemos contar com o apoio institucional da China e dos mestres Ma Jianguo e Li Baouru.

SHUAIJIAO NO RIO DE JANEIRO: NOVA TURMA E NOVO ENDEREÇO

logo shuaijiao pb2Depois de dar aulas e cursos em diversas cidades do Brasil, formando professores e instrutores, treinando atletas e promovendo reciclagens e atualizações, agora vamos plantar uma semente no Rio de Janeiro. A partir do dia 3 de março de 2015 os aficionados pelo Shuaijiao terão uma nova opção. Iniciaremos a primeira turma regular de Shuaijiao, aqui mesmo na cidade do Rio de Janeiro. O nosso novo endereço é Estrada dos Bandeirantes, 15.076, Vargem Shopping, segundo andar, Academia Vargem Fitness. Estaremos lá todas as terças e quintas das 19:00 às 22:00. Venha nos fazer uma visita e conhecer esse novo espaço. Para maiores informações é só ligar (21) 981829736. Te esperamos lá.

REGRAS DE COMPETIÇÃO DE SHUAIJIAO NO BRASIL: CONTINUANDO COMENTÁRIOS

logo shuaijiao pbRecapitulando o que escrevi no texto anterior sobre regras de competição, abordei as questões de divisões de peso, tempo de luta e intervalos, e por fim a área de competição. Várias perguntas surgiram sobre essas questões, visto que as entidades brasileiras que pretendem desenvolver a modalidade no Brasil utilizam regras distintas das que são preconizadas pelas instituições oficiais internacionais, principalmente a chinesa, que possuem muito mais experiência que as tupiniquins.

Dando continuidade aos comentários sobre regras, vou me concentrar nesse texto nos sinais da arbitragem. Para isso, usarei como exemplo a regra oficial de uma das entidades brasileiras que pretendem organizar a modalidade em nosso território. Vou me reservar o direito de não citar nomes, por questões éticas, mas não é difícil identificar tais práticas no Brasil. Aliás, é muito fácil, pois não são muitas entidades, nem muitos dirigentes.

Em tempo, cabe destacar que vou me deter em pontos conflitantes com o regulamento oficial chinês. Começando a analisar os sinais desse referido regulamento, a exposição deles começa com o sinal de Shangtai (上台). É traduzido como “subir na plataforma”. Em uma tradução mais literal, Shangtai é traduzido como etapa, palco, fase ou estágio. Já começamos mal, pois já sabemos que no Shuaijiao esportivo, pelas regras oficiais que destaquei no post anterior, não há plataforma. A luta esportiva do Shuaijiao é realizada em área baixa, como o tatame do judô ou o tapete da luta greco-romana. Uso esses exemplos só para ilustrar e facilitar o entendimento dos leitores. Assim, por essência o primeiro comando não faz sentido, não no que se refere ao sinal, mas o termo utilizado e sua tradução. Parece um aproveitamento das regras de Sanda (散打).

O comando de parar é realizado pela verbalização da palavra Ting (停) ao mesmo tempo em que se realiza um movimento constituído de avançar o corpo em base arqueiro (弓步) estender o braço a frente, com a mão aberta e espalmada pra o lado apontando os dedos unidos na direção entre ambos lutadores. Completando o movimento une-se as pernas ficando ereto. No regulamento analisado o comando de voz é o mesmo, mas o movimento é o mesmo descrito no regulamento de Sanda.

Quando ao final de uma técnica não há pontuação o regulamento analisado não diz quantas vezes as mãos se cruzam à frente do corpo. No regulamento oficial são duas vezes que as mãos se cruzam à frente do corpo.

Quando um ataque é iniciado fora da área de competição o regulamento analisado indica que o árbitro faz o sinal em base arqueiro, assim como no Sanda. No regulamento oficial esse sinal é feito ereto, pés unidos, próximo ao local onde ocorreu o fato e perpendicular a linha divisória entre a área de competição e a área de segurança.

Em relação aos sinais de falta, o regulamento analisado faz diferença entre os tipos de falta. Para as faltas técnicas há um sinal flexionando o braço ao lado do corpo em 90° com a mão para cima e palma aberta. Para falta violenta, flexiona-se o braço ao lado do corpo em 90° com a mão para cima e fechada. Idêntico ao regulamento do Sanda. No regulamento oficial, só há o sinal com o punho fechado, o que sinaliza uma falta técnica ou violenta é os termos utilizados.

O sinal de passividade no regulamento analisado o braço balança na lateral do corpo em 45°. No regulamento oficial o braço é flexionado a 90°.

Para sinalizar a vitória do combate de um dos lutadores o regulamento analisado faz o gesto de elevar o braço do vencedor segurando-o pelo antebraço e verbalizando o termo adequado. No regulamento oficial não há a elevação do braço do vencedor. O árbitro apenas eleva o próprio braço estendido em um ângulo de 45° na direção do vencedor e verbaliza os termos adequados. Em relação aos termos há similaridade entre os dois regulamentos, mas no que se refere ao gesto há diferenças significativa. O do regulamento analisado é similar ao do regulamento do Sanda.

Percebe-se então que há diferenças importantes entre os dois regulamentos no que tange aos sinais. O regulamento analisado demonstra grande aproximação com os sinais utilizados no Sanda, o que sugere uma adaptação do mesmo para as regras do Shuaijiao, ou ainda, que o regulamento traduzido e utilizado não é de uma entidade oficial chinesa. De qualquer modo, o que fica exposto é importantes diferenças entre os dois regulamentos na questão dos sinais, reforçando o que venho sinalizando sobre as entidades que pretendem divulgar o Shuaijiao no Brasil.

Para uma verificação mais adequada dos sinais de arbitragem oficiais indico o vídeo produzido pelo grupo do Mestre Li Baoru e Ma Jianguo, ambos árbitros oficiais e internacionais de Shuaijiao certificados pela Associação Chinesa de Shuaijiao. Vejam o vídeo clicando AQUI.

Alguns podem achar que é preciosismo da minha parte, mas entendo que quando queremos desenvolver um trabalho sério, todo esforço na busca da qualidade é pouco frente aos desafios que se apresentam. Então, sejamos sérios em nossas proposições.

No próximo post falarei sobre a atribuição de pontos durante a luta.

Boa reflexão e que possamos juntos avançar no desenvolvimento do Shuaijiao no Brasil.

TREINAMENTO DE SHUAIJIAO EM BEIJING 2014

20140927_112849Desde que me tornei aluno da academia de Shuaijiao dos mestres Li Baoru e Ma Jianguo em 2008 os treinos sempre são cheios de novidade. Na viagem desse ano não foi diferente. Além das aventuras gastronômicas em um restaurante mulçumano, reduto do Shuaijiao tradicional de Beijing, novos aprendizados foram vivenciados.

DSC07053Mestre Ma, como sempre, apresentou, de forma muito didática, novas técnicas do Shuaijiao. Dessa vez foram mais projeções, treinamentos básicos ou Jibengong (基本功), técnicas de luta, diferentes treinos com o Dabangzi (大棒子) e histórias sobre o Shuaijiao. Constantemente auxiliado pelo instrutor Zhang, aluno da escola há vinte anos, as aulas sempre ricas em novidades, correções e orientações para o bom desenvolvimento da modalidade.

Outra novidaDSC07060de dessa vez foi a participação do meu irmão de escola Plínio Tsai, além é claro do Ortega, que foi pela segunda vez comigo. Para o Plínio foi uma experiência muito diferente, pois treina judô e jujitsu também, e comparar essas modalidades com o Shuaijiao é sempre esclarecedor. Em resumo, ele virou adepto do Shuaijiao de carteirinha, e já planeja a próxima viagem à Beijing para treinar com o Mestre Ma.

Mesmo com tantas novidades uma coisa nunca muda, a sabatina da primeira aula. A prova oral. Mestre Ma sempre faz isso, diz o nome de uma técnica para que eu a demonstre. Na minha percepção o objetivo disso é saber o quanto treinei os conteúdos aprendidos no último encontro. Essa forma de avaliação seve para que ele estruture a nova etapa de aprendizagem, sem que a repetição de técnicas ocorra. O problema é que ele faz a revisão, a prova oral, e depois pede para eu repetir em frente a outros chineses, professores ou não de Shuaijiao, de modo a alcançar a aprovação de outras pessoas. É quase que “olha o que meu aluno ocidental aprendeu!”. Daí a minha responsabilidade aumenta e a felicidade dele também.DSC07063

SHUAIJIAO NAS UNIVERSIDADES: UMA ESPERANÇA DE PRESERVAÇÃO DA CULTURA DOS ANTIGOS LUTADORES

A última viagem à China contemplou diferentes aspectos. Um deles foi a visita técnica à instituições de ensino superior e outras que promovam o ensino das artes marciais. Dentre essas visitas, a Capital University of Physical Education and Sports (首都体育学院) se destacou especificamente. Situada em Beijing, a visita a essa instituição foi uma iniciativa que surgiu do meu projeto de Pós-Doutorado que está sendo realizando na área das artes marciais, lutas e esportes de combate na FEF-UNICAMP.

O contato inicial com a universidade chinesa foi realizado por mim e possibilitou a abertura de uma nova relação com essa instituição, para além dos interesses de um único projeto de pesquisa, beneficiando assim a FEF-UNICAMP como um todo, em seus diferentes departamentos e áreas de pesquisa.DSC06952

A delegação formada para visita à Capital University of Physical Education and Sports (CUPES) foi composta pelo Professor Dr. José Júlio Gavião de Almeida, pelo mestrando do programa de Pós-graduação da FEF-Unicamp, Enrique Miluzzi Ortega, por mim, Marcelo Moreira Antunes, estagiário de Pós-Doutorado da FEF-Unicamp, e pelo Professor Plínio Marcos Tsai, membro do grupo de pesquisa em Lutas da FEF-UNICAMP.DSC06965

A delegação da UNICAMP foi recebida pela Sra. Kao, responsável pelo programa de intercâmbio internacional do Foreign Affairs Office, pela Diretora Ma Ying, do Foreign Affairs Office, pelo Professor Dr. Zhu Jianliang (朱建亮) docente do departamento de esportes tradicionais da CUPES e pelo Magnífico Reitor Professor Dr. Wang Kuohua.

Inicialmente procedeu-se a apresentação da CUPES por meio de um vídeo institucional apresentado na sala de reuniões do Foreign Affairs Office. A universidade, fundada em 1956 está sob a administração do Governo Municipal de Beijing e conta com cursos de graduação, pós-graduação em nível de mestrado e doutorado, educação de adultos e programas de cursos de menor duração em diversos campos da educação física, seja escolar ou de esporte de alto rendimento. Recebe alunos de toda a China e de países com os quais possui acordos de intercâmbio e atualmente possui cerca de 5.000 alunos.

Atualmente a CUPES possui acordos de cooperação com mais de 20 instituições localizadas em diferentes países, como Reino Unido, Coréia do Sul, Estados Unidos da América, Japão, Finlândia, Austrália, Rússia, Nova Zelândia, Bélgica, Grécia, entre outros. E possui diferentes cursos de graduação, pós-graduação e programas de curta duração apresentam diferentes focos de estudo e pesquisa. Entretanto, o que me interessava particularmente era o Shuaijiao.

Assisti um documentário da CCTV que falava sobre o Shuaijiao (link1, link2 e link3) e nele um professor dessa universidade falava da história do Shuaijiao e suas características. Era um acadêmico falando sobre o que me interessava. Eu não gosto só de praticar, mas também de entender o que pratico. Assim, um professor universitário que domina o tema era um prato cheio. Vou tentar um contato com ele. O nome desse professor é Su Xueliang (苏学良), responsável pelo departamento de Esportes tradicionais chineses, onde se inclui o Shuaijiao. Além de professor ele também é autor renomado e em seu último livro escreveu sobre diferentes técnicas de Shuaijiao.

Para minha surpresa, o Professor Su já estava aposentado na época do meu contato. Mesmo assim decidi investir na Universidade, pois ela tinha um departamento que tratava dos esportes tradicionais chineses.

Por sorte, um dos professores que nos recebeu na reunião era o atual responsável pelo departamento de esportes tradicionais e professor de Shuaijiao. Daí tudo fluiu. Quando falei que gostava de Shuaijiao e tinha muito interesse em estudar mais, ele ficou muito contente e a conversa passou a ser somente sobre o Shuaijiao.DSC06964

Fomos ao local de treinamento, onde ele ministra as aulas de Shuaijiao, e me apresentou os equipamentos, as áreas de treino e os horários que ocorriam as práticas. Era um ginásio amplo, metade dele estava em reforma. Tinha diversos sacos de pancada pendurados com diferentes formatos. Havia um ringue de boxe, uma plataforma para sanda e duas áreas de shuaijiao, uma quadrada, comum, e a outra tradicional, redonda. Depois da apresentação das áreas de treino, me apresentou os equipamentos que usava em suas aulas. Tinha Tuizi (推子), Dabanzi (大棒子), Xiaobanzi (小棒子) e Pitiao (皮条). Esse último eu nunca tinha visto ao vivo e a cores. Somente nos livros que consultei para estudar sobre o shuaijiao. Na verdade conhecemos o Pitiao nos treinos de faixa, mas antigamente esse treinamento era realizado com tiras de couro trançado. Então aí estava o Pitiao, tão treinado e substituído pela faixa de amarrar o Jiaoyi. Mais um aprendizado.DSC07019

Assim, ele me deu uma aula com o Pitiao. Nada que eu já não tivesse feito, mas não com o equipamento original. Depois de algumas demonstrações de como usar. O Professor Dr. Zhu Jianliang apresentou um desafio para mim. Eu deveria ficar em base cavalo fazendo um movimento com as pontas dos dedos segurando um Xioabanzi. Não tinha como recusar. Assim, realizei o desafio a contento, com ele afirmando que eu tinha gongfu (功夫), ou seja, que eu realmente treinava. Como um gesto de amizade, ele me deu um Pitiao de presente. Nossa! Fiquei muito honrado com o presente. E é claro que irei reproduzir o equipamento no Brasil para que outros praticantes tenham acesso a esse equipamento. E, ao invés de treinar com as faixas, treinarem com o Pitiao.DSC07014

O Professor Dr. Zhu Jianliang ainda falou do Shuaijiao e dos esportes tradicionais chineses que são desenvolvidos na universidade. O Shuaijiao é uma modalidade de arte marcial chinesa que de acordo com a literatura especializada é a primeira arte marcial a surgir na China. É considerada como patrimônio cultural chinês e sua prática é preservada em diferentes universidades chinesas, além de possuir uma complexa organização esportiva, através da Associação Nacional de Shuaijiao, que organiza cursos, seminários e competições em nível nacional e internacional. Muito similar as lutas de agarre como o judô, jujitsu e sumô, o Shuaijiao é muito popular na China e já se desenvolve em diferentes países ocidentais, como a França, Itália, Alemanha, Áustria, Portugal, Estados Unidos, Costa Rica, Argentina, Peru, Canadá, e também no Brasil. Falou ainda do seu livro, que por coincidência havia comprado no dia anterior na Livraria do Wangfuding. E ainda, me deu uma apostila da sua disciplina na universidade.DSC07023

DSC06648O detalhe interessante é que além de algumas universidades manterem a prática e o ensino do Shuaijiao como elemento da cultura tradicional chinesa, ele não se condiciona a organização do wushu moderno, mas sim a uma estrutura própria, capitaneada pela Chinese Wrestling Association. Desse modo, totalmente separado da International Wushu Federation e da Chinese Wushu Association.

O reduto do Shuaijiao se encontra então em algumas associações e academias espalhadas pela China, mas também por diferentes universidades que se interessam pela preservação dessa cultura chinesa antiga. Então vamos também para a universidade.

Através do convênio de cooperação internacional acadêmica em andamento entre a UNICAMP e a CUPES, estamos estudando a possibilidade de trazer o Professor Dr. Zhu Jianliang ao Brasil para uma série de seminários e aulas de Shuiajiao na UNICAMP. Assim, uma universidade brasileira também se une ao movimento de preservação do Shuaijiao. Vamos trabalhando.DSC06967