HISTÓRIA

SHUAIJIAO 7

A luta pela sobrevivência faz parte natureza humana, e o homem como animal racional desenvolveu, ao longo de sua história, técnicas altamente sofisticadas de combate para compensar diferenças natas como força e velocidade.

A história da arte marcial chinesa trilhou esse caminho evolutivo. Quando as técnicas com “mãos vazias” começaram a se desenvolver, elas primeiramente enfatizaram a luta com técnicas de agarrar e derrubar. O Shuaijiao desenvolveu-se a partir de técnicas primitivas de luta até se transformar em uma forma muito refinada de arte marcial.

Shuaijiao é considerado a arte marcial chinesa de mãos desarmadas mais antiga criada na China. Podendo-se encontrar na história escrit registros da prática de suas técnicas há quase 5.000 anos atrás (aproximadamente 2.700 a.C.), nos tempos do Imperador Amarelo, Huangdi.

O termo Shuaijiao significa: Shuai = derrubar e Jiao = chifres ou chifrar, desta forma a tradução pode ser chifres que derrubam ou chifrar e derrubar. A palavra “chifres” remonta a forma mais antiga de Shuaijiao registrada: o Jiaoti , que se tratava de um combate sangrento, corpo-a-corpo, onde os lutadores utilizavam capacetes com chifres. Outro termo popular (na China) utilizado para se referir ao Shuaijiao é Kuaijiao que significa derrubada rápida.

Um velho dizer popular chinês diz: “Ataques com os punhos são superiores às técnicas de deslocamento; ataques de pés aos ataques de punhos, e técnicas de derrubar superiores aos ataques de pés”. Os combates são normalmente vencidos por quem arremessou o adversário ao solo do que por “Knock Out”. Vários mestres são unânimes em dizer que boas técnicas de derrubar (Shuai) representam 40% de um bom lutador, completado por 30% de técnicas de chutes e 30% de técnicas de socos.

O estudo de Shuaijiao pode com certeza contribuir numa maior compreensão de qualquer estilo praticado, assim como também contribuir muito para os que se interessam pela pratica desportiva de Sanshou ou Sanda.

Os relatos históricos  nos contam que por volta do ano 2.700 a.C. duas tribos rivais se instalaram ao longo do Rio Amarelo. Uma das tribos era liderada pelo famoso Huangdi, e a outra por Zhiyou, cujos  guerreiros utilizavam um capacete com dois chifres. Estes capacetes eram utilizados nas batalhas para ferir os inimigos. Huangdi ensinou seus guerreiros a evitarem estes ataques perigosos e a desequilibrarem seus adversários. Assim, graças a esta técnica, Huangdi venceu Zhiyou e unificou as tribos da região do Rio Amarelo, assim deu-se início a formação da etnia Han. Desde então, nas festas chinesas, costuma-se imitar os combates dos guerreiros. Alguns utilizam capacetes e fingem ferir seus adversários com os chifres, os outros, por sua vez, evitam os ataques tirando o equilíbrio do atacante. Esta dança tradicional era chamada Jiao Dixi. Nestas festas aconteceram as primeiras demonstrações da arte marcial  “mãos vazias” na China.

Na dinastia Zhou (aprox. 1.122 a.C.), as técnicas já eram utilizadas para os exercícios militares. Na dinastia Qin (aprox. 221 a.c.), estas práticas se tornaram um espetáculo e uma forma de entretenimento muito apreciado pela aristocracia. Desde esta dinastia, as competições se desenvolveram muito rapidamente. As regras eram muito fáceis, pois quase tudo era permitido. Embora a eficácia das técnicas com agarramento fossem claras, os lutadores não deixariam de lado a luta solta. Este tipo de prática é provavelmente a origem da separação em duas direções: a luta de projeção (Shuai) e o pugilismo (Quan).

As técnicas de projeção sempre foram consideradas importantes, e por essa razão, os mestres de estilos tradicionais de wushu estudaram profundamente  estes tipos de técnicas  e selecionaram as mais eficazes para serem inseridas em suas rotinas, e desta forma serem perpetuadas para as gerações futuras. Assim, diversos estilos tradicionais de wushu possuem técnicas de projeção inseridas dentro de suas rotinas (taolu) constituindo desta forma uma das bases desses estilos tradicionais. Entretanto, mesmo que algumas técnicas de projeção façam parte do conteúdo de alguns estilos de wushu, não se pode afirmar que o Shuaijiao é um estilo de kungfu, mas sim, uma arte marcial chinesa que preconiza as projeções como seu repertório técnico predominante. Dependendo do interesse e do foco do praticante, várias técnicas foram mescladas com objetivo de atender a demandas específicas de alguns grupos sociais.

Na dinastia Song (960-1278), um livro entitulado “Jiaoloi Ji”, apresentava uma parte dos estudos feitos por vários mestres juntamente com a história da arte marcial chinesa. Na dinastia Ming (1368-1644) e na dinastia Qing (1644-1911), os mestres continuaram a aperfeiçoar as técnicas. Na dinastia Qing, 300 mestres foram convidados pela corte imperial para formar uma equipe de lutadores. Este time foi chamado Shang Pu Ying. Os mestres lutavam entre si e enfrentavam outras equipes, incluindo os famosos lutadores da Mongólia. Nesta época a corte Qing proibiu ataques de pés e mãos em competições de Shuaijiao. Contudo os mestres continuaram a treinar utilizando chutes e socos.

O Shuaijiao tornou-se um estilo muito rico, com uma estratégia muito elaborada. Shuaijiao é o resultado de um trabalho árduo e detalhado que se perpetuou através de vários milênios.  Sendo tão antigo, o Shuaijiao é considerado o predecessor da maioria dos estilos de luta da atualidade. Os monges de Shao Lin através de seu estudo de Shuaijiao incorporaram grande parte de suas técnicas em suas formas (rotinas) e desenvolveram um sistema de 18 projeções chamado Tsan I.

O Shuaijiao foi levado a vários outros países durante a Dinastia Ming (1368 DC -1644 DC), e no Japão veio a influenciar os antigos estilos de Jiu-Jitsu dos quais evoluiu o Judo de Jigoro Kano. Na verdade isto está registrado em documentos Japoneses: em Collection of Ancestor’s Conversations, Volume 2, Biografia de Chen, Yuan-Yun, encontramos que Chen, Yuan-Yun (1587-1671 DC, Dinastia Ming) foi a pessoa que levou as “técnicas suaves” para o Japão em 1659.

Em outros registros históricos o encontramos como Cheng, Yuan Ping (O homem da montanha de Chi Pai), onde até os dias de hoje, na base da montanha no Japão existe um monumento erguido em sua memória. Contam as tradições verbais que Cheng era um perito em Shuaijiao e em Qinna, e que devido a perseguição política teve que fugir da China para o Japão.

Existem vários estilos de Shuaijiao, porém os mais difundidos são o Mongol (Bokh), o Beijing, o Baoding e o Tianjin. O estilo Tianjin usa muito o braço solto para testar o adversário e para sentir quando há uma chance de aplicar uma técnica. Os movimentos do estilo Beijing são mais relaxados, enfatizando a pegada no Dalian ou no corpo para a execução das técnicas de projeção com movimentos fluidos e contínuos. O estilo Baoding é o mais conhecido nas Américas até o momento, e é distinguido por seus movimentos mais quebrados e seu ritmo cheio de interrupções entre as técnicas, com paradas bem marcadas. É necessário o desenvolvimento de grande velocidade e poder explosivo para a execução adequada das técnicas.

Para maiores detalhes e aprofundamento teórico consultar o livro INTRODUÇÃO AO SHUAIJIAO: Teoria e Prática, da Editora Phorte. Disponível para compra no site da editora ou em diversas livrarias.

CAPA PARA DIVULGAÇÃO

Shuaijiao Brasil

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