SHUAIJIAO TRADICIONAL VERSUS SHUAIJIAO ESPORTIVO: UM FACTÓIDE CRIADO NO BRASIL

Marcelo Moreira Antunes

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Capa do livro Bainien Jingjiao. Autobiografia do Mestre Li publicada em 2015.

Para começar a discutir o Shuaijiao no Brasil é necessário recuperar a memória de sua introdução e seu desenvolvimento por aqui. Iniciando-se durante a primeira metade da década de 1990, pelas mãos dos professores Roberto Batista e Li Wingkay, ambos pela linhagem do Mestre Chang Dongsheng, de Taiwan, via Estados Unidos da América (EUA). O Professor Roberto, também conhecido como Betão, aprendeu Baoding Shuaijiao com o mestre John Wang no Texas e o Professor Li Wingkay aprendeu Baoding Shuaijiao com o mestre Daniel Weng, também nos EUA. Ambos os mestres aprenderam com o Mestre Chang Dong Sheng em Taiwan, a partir do modelo de ensino e conteúdos que foram organizados para atender as demandas da academia de policia daquele país, após a queda da primeira república da China em 1949. Mestre Chang Dong Sheng era partidário do Kuomintang, e com a queda do regime de Chian Kai Shek, teve que fugir para Taiwan junto com alguns compatriotas. Continuar lendo

VIAGEM A BEIJING DE 2016: A CONTINUIDADE DA APRENDIZAGEM E DO TRABALHO COM O SHUAIJIAO

Marcelo Moreira Antunes

Desde o ano de 2008 iniciei minhas viagens à China, especificamente para a cidade de Beijing, para aprofundar meus estudos sobre o Shuaijiao, que se iniciaram em 1993. Sobre esse início na década de 1990 já teci alguns comentários em outros posts e também os descrevi mais detalhadamente no livro Introdução ao Shuaijiao: teoria e prática que publiquei em 2014. Assim, vou me concentrar nessa última viagem, pois ela sela alguns processos de aprendizagem e relacionamentos internacionais que se iniciaram em 2008. Entretanto, farei apenas um sumário, porque me aprofundarei nos temas importantes em futuras postagens específicas Aguardem!.

Essa viagem, última de um total de quatro, teve a duração de 25 dias entre saída e retorno do Brasil. Foram exatos 21 dias de muito aprendizado na China na companhia do meu amigo Júlio Mafra. Posso até afirmar que essa foi a melhor de todas que já realizei para meus estudos, pois, foi cheia de surpresas e novidades. Novas pessoas e lugares, novas técnicas e teorias. Novas histórias e experiências para contar. Novas amizades que se consolidaram nesses dias intensos da “Trip Shuaijiao 2016”.

Já na chegada a Beijing, tivemos uma excelente recepção do nosso amigo Gu Shen e sua simpática namorada. Jantamos em um ótimo restaurante perto da Avenida do Imperador (Qianmen Dajie).

No dia seguinte partimos para a Mongólia Interior para participarmos do Campeonato Nacional Universitário de Shuaijiao. A princípio não sabíamos que era um campeonato nacional. Pensávamos inicialmente que era um campeonato regional e não um campeonato com essa envergadura. Ficamos na cidade de Xilin Gele durante 5 dias.

Essa cidade está distante de Beijing sete horas e meia de carro em estrada muito bem pavimentada que cruza parte das estepes mongóis. Participamos dos bastidores da organização do campeonato, do curso de arbitragem que preparou os árbitros para atuarem no evento, conhecemos diversos dirigentes do Shuaijiao chinês, além de vários mestres de renome nacional e internacional. Em um post específico vou detalhar essa parte da viagem, pois ela foi muito rica e diversificada.

Voltamos para Beijing e continuamos o treinamento iniciado em Xilin Gele. Foram seções diárias de treinamento com o Mestre Ma Jianguo. Ele nos deu apenas os domingos de folga para passeios de turismo. Também tivemos aula com o Mestre Li Baoru, que inclusive nos presenteou com o seu mais recente livro, autografado, lançado em dezembro de 2014. Além do livro do mestre Li, também ganhamos o livro do mestre Tung, lançado em 2012, um dos grandes expoentes do Shuaijiao na China, que nos foi presenteado pelo mestre Ma.

Em nossos passeios por Beijing, não poderia faltar as visitas às livrarias. Nessas buscas por mais obras sobre o Shuaijiao encontramos mais dois livros novos que não conhecia. Um sobre o Shuaijiao das minorias étnicas, incluindo a mongol, publicado em 2015, e outro mais geral publicado em 2014 pela Universidade de Xian. O que pudemos perceber é que os estudos de Shuaijiao se encontram em grande intensidade, o que é uma ótima notícia para a modalidade.

Retornamos ao Brasil com a certeza de que mais um passo foi dado na direção da qualificação da prática do Shuaijiao, do estabelecimento de elos ainda mais forte com os mestres, professores e dirigentes da modalidade na China e com a concretização de amizades duradouras com os praticantes e apreciadores da modalidade. Também voltamos com a responsabilidade da continuidade do trabalho profissional que temos desenvolvido até o momento e da abertura à aqueles que desejem se aprofundar nessa prática, acreditando que ela ainda está na sua infância aqui no Brasil. Há muito a ser feito ainda para o fomento da modalidade no Brasil e para o seu desenvolvimento técnico, mas estamos engajados nessa jornada, principalmente que podemos contar com o apoio institucional da China e dos mestres Ma Jianguo e Li Baouru.

SHUAIJIAO NAS UNIVERSIDADES: UMA ESPERANÇA DE PRESERVAÇÃO DA CULTURA DOS ANTIGOS LUTADORES

A última viagem à China contemplou diferentes aspectos. Um deles foi a visita técnica à instituições de ensino superior e outras que promovam o ensino das artes marciais. Dentre essas visitas, a Capital University of Physical Education and Sports (首都体育学院) se destacou especificamente. Situada em Beijing, a visita a essa instituição foi uma iniciativa que surgiu do meu projeto de Pós-Doutorado que está sendo realizando na área das artes marciais, lutas e esportes de combate na FEF-UNICAMP.

O contato inicial com a universidade chinesa foi realizado por mim e possibilitou a abertura de uma nova relação com essa instituição, para além dos interesses de um único projeto de pesquisa, beneficiando assim a FEF-UNICAMP como um todo, em seus diferentes departamentos e áreas de pesquisa.DSC06952

A delegação formada para visita à Capital University of Physical Education and Sports (CUPES) foi composta pelo Professor Dr. José Júlio Gavião de Almeida, pelo mestrando do programa de Pós-graduação da FEF-Unicamp, Enrique Miluzzi Ortega, por mim, Marcelo Moreira Antunes, estagiário de Pós-Doutorado da FEF-Unicamp, e pelo Professor Plínio Marcos Tsai, membro do grupo de pesquisa em Lutas da FEF-UNICAMP.DSC06965

A delegação da UNICAMP foi recebida pela Sra. Kao, responsável pelo programa de intercâmbio internacional do Foreign Affairs Office, pela Diretora Ma Ying, do Foreign Affairs Office, pelo Professor Dr. Zhu Jianliang (朱建亮) docente do departamento de esportes tradicionais da CUPES e pelo Magnífico Reitor Professor Dr. Wang Kuohua.

Inicialmente procedeu-se a apresentação da CUPES por meio de um vídeo institucional apresentado na sala de reuniões do Foreign Affairs Office. A universidade, fundada em 1956 está sob a administração do Governo Municipal de Beijing e conta com cursos de graduação, pós-graduação em nível de mestrado e doutorado, educação de adultos e programas de cursos de menor duração em diversos campos da educação física, seja escolar ou de esporte de alto rendimento. Recebe alunos de toda a China e de países com os quais possui acordos de intercâmbio e atualmente possui cerca de 5.000 alunos.

Atualmente a CUPES possui acordos de cooperação com mais de 20 instituições localizadas em diferentes países, como Reino Unido, Coréia do Sul, Estados Unidos da América, Japão, Finlândia, Austrália, Rússia, Nova Zelândia, Bélgica, Grécia, entre outros. E possui diferentes cursos de graduação, pós-graduação e programas de curta duração apresentam diferentes focos de estudo e pesquisa. Entretanto, o que me interessava particularmente era o Shuaijiao.

Assisti um documentário da CCTV que falava sobre o Shuaijiao (link1, link2 e link3) e nele um professor dessa universidade falava da história do Shuaijiao e suas características. Era um acadêmico falando sobre o que me interessava. Eu não gosto só de praticar, mas também de entender o que pratico. Assim, um professor universitário que domina o tema era um prato cheio. Vou tentar um contato com ele. O nome desse professor é Su Xueliang (苏学良), responsável pelo departamento de Esportes tradicionais chineses, onde se inclui o Shuaijiao. Além de professor ele também é autor renomado e em seu último livro escreveu sobre diferentes técnicas de Shuaijiao.

Para minha surpresa, o Professor Su já estava aposentado na época do meu contato. Mesmo assim decidi investir na Universidade, pois ela tinha um departamento que tratava dos esportes tradicionais chineses.

Por sorte, um dos professores que nos recebeu na reunião era o atual responsável pelo departamento de esportes tradicionais e professor de Shuaijiao. Daí tudo fluiu. Quando falei que gostava de Shuaijiao e tinha muito interesse em estudar mais, ele ficou muito contente e a conversa passou a ser somente sobre o Shuaijiao.DSC06964

Fomos ao local de treinamento, onde ele ministra as aulas de Shuaijiao, e me apresentou os equipamentos, as áreas de treino e os horários que ocorriam as práticas. Era um ginásio amplo, metade dele estava em reforma. Tinha diversos sacos de pancada pendurados com diferentes formatos. Havia um ringue de boxe, uma plataforma para sanda e duas áreas de shuaijiao, uma quadrada, comum, e a outra tradicional, redonda. Depois da apresentação das áreas de treino, me apresentou os equipamentos que usava em suas aulas. Tinha Tuizi (推子), Dabanzi (大棒子), Xiaobanzi (小棒子) e Pitiao (皮条). Esse último eu nunca tinha visto ao vivo e a cores. Somente nos livros que consultei para estudar sobre o shuaijiao. Na verdade conhecemos o Pitiao nos treinos de faixa, mas antigamente esse treinamento era realizado com tiras de couro trançado. Então aí estava o Pitiao, tão treinado e substituído pela faixa de amarrar o Jiaoyi. Mais um aprendizado.DSC07019

Assim, ele me deu uma aula com o Pitiao. Nada que eu já não tivesse feito, mas não com o equipamento original. Depois de algumas demonstrações de como usar. O Professor Dr. Zhu Jianliang apresentou um desafio para mim. Eu deveria ficar em base cavalo fazendo um movimento com as pontas dos dedos segurando um Xioabanzi. Não tinha como recusar. Assim, realizei o desafio a contento, com ele afirmando que eu tinha gongfu (功夫), ou seja, que eu realmente treinava. Como um gesto de amizade, ele me deu um Pitiao de presente. Nossa! Fiquei muito honrado com o presente. E é claro que irei reproduzir o equipamento no Brasil para que outros praticantes tenham acesso a esse equipamento. E, ao invés de treinar com as faixas, treinarem com o Pitiao.DSC07014

O Professor Dr. Zhu Jianliang ainda falou do Shuaijiao e dos esportes tradicionais chineses que são desenvolvidos na universidade. O Shuaijiao é uma modalidade de arte marcial chinesa que de acordo com a literatura especializada é a primeira arte marcial a surgir na China. É considerada como patrimônio cultural chinês e sua prática é preservada em diferentes universidades chinesas, além de possuir uma complexa organização esportiva, através da Associação Nacional de Shuaijiao, que organiza cursos, seminários e competições em nível nacional e internacional. Muito similar as lutas de agarre como o judô, jujitsu e sumô, o Shuaijiao é muito popular na China e já se desenvolve em diferentes países ocidentais, como a França, Itália, Alemanha, Áustria, Portugal, Estados Unidos, Costa Rica, Argentina, Peru, Canadá, e também no Brasil. Falou ainda do seu livro, que por coincidência havia comprado no dia anterior na Livraria do Wangfuding. E ainda, me deu uma apostila da sua disciplina na universidade.DSC07023

DSC06648O detalhe interessante é que além de algumas universidades manterem a prática e o ensino do Shuaijiao como elemento da cultura tradicional chinesa, ele não se condiciona a organização do wushu moderno, mas sim a uma estrutura própria, capitaneada pela Chinese Wrestling Association. Desse modo, totalmente separado da International Wushu Federation e da Chinese Wushu Association.

O reduto do Shuaijiao se encontra então em algumas associações e academias espalhadas pela China, mas também por diferentes universidades que se interessam pela preservação dessa cultura chinesa antiga. Então vamos também para a universidade.

Através do convênio de cooperação internacional acadêmica em andamento entre a UNICAMP e a CUPES, estamos estudando a possibilidade de trazer o Professor Dr. Zhu Jianliang ao Brasil para uma série de seminários e aulas de Shuiajiao na UNICAMP. Assim, uma universidade brasileira também se une ao movimento de preservação do Shuaijiao. Vamos trabalhando.DSC06967

VIAGEM À CHINA 2014: UM SUMÁRIO DO SHUAIJIAO

DSC06617Dentre as cinco vezes que viajei à China, essa é a terceira vez com o objetivo de aprender o Shuaijiao de Beijing. Porém, essa viagem teve elementos adicionais, visitas à três universidades chinesas em função das atividades de Pós-Doutorado desenvolvidas na Faculdade de Educação Física da Unicamp. A cada viagem à China novos horizontes se apresentam, novos aprendizados surgem, voltamos para o Brasil um pouco diferentes. Essa viagem não foi diferente disso.

Aprendi muito, me surpreendi diversas vezes e voltei diferente. As visitas à China Institute of Physical Education and Sports, a Capital University of Physical Education e a Beijing Sport University forma muito enriquecedoras. Especialmente aprendi mais Shuaijiao. com meus professores e com os novos que surgiram nessa viagem.

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O encontro com meus professores, mestre Li Baoru e Mestre Ma Jianguo, e o conhecimento de um grande professor, mestre Zhu Jianliang, foi a tônica dessa viagem. Com o mestre Ma Jianguo foi o que sempre se espera, muito conteúdo, correções e novos aprendizados. Mestre Li sempre surpreende com sua simplicidade, descontração e profundidade de seus ensinamentos. E  a novidade, aprender Shuaijiao na Universidade com o conceituado e autor de livro o  professor Zhu Jianliang da Capital University of Physical Education.

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Cada encontro e aprendizado foi a continuidade de um trabalho constante, perseverante e verdadeiro. Mas esse trabalho não significa nada se não podemos compartilhar com os nossos amigos, alunos, professores e interessados em Shuaijiao. Portanto, aqui estou apresentando um sumário da viagem, que resultará em futuros posts a serem publicados nas próximas semanas.

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Então, peço paciência para aguardar as publicações que se seguirão às próximas semanas. Cada post detalhado em seus acontecimentos e com fotos ilustrativas dos acontecimentos e aprendizados. Outro acontecimento importante é a coleta de dados para pesquisa, livros e textos importantes para a compreensão do Shuaijiao. questões importantíssimas em uma área com muito pouca projeção.IMG_20141004_205807998

Conto com vocês, interessados em Shuaijiao, praticantes e amantes dessa antiga arte de combate, para a leitura dos posts que se seguirão.

Aguardem as novidades.

Saudações cordiais,

Marcelo Antunes

MAIS UMA VIAGEM À BEIJING: CONTINUANDO O APRIMORAMENTO DO SHUAIJIAO

Quando fui a primeira vez à China em 1992, para o campeonato mundial em Taiwan, não tinha ideia que voltaria mais vezes por um motivo específico. Durante o trabalho frente ao Departamento Técnico de Shuaijiao da Confederação Brasileira de Kungfu Wushu, senti a necessidade de maior aprofundamento dos conhecimentos sobre o Shuaijiao. Em conversa com o Mestre Nereu Graballos, fui orientado a procurar uma escola nos Estados Unidos da América (EUA) em primeiro lugar. Era mais perto do Brasil, a passagem era mais barata e a cultura mais próxima a nossa. Fiz uma busca extensa, mas estava procurando uma escola diferente da que eu tinha aprendido originalmente. Ampliar o horizonte era a meta. Mas dos EUA não obtive resposta na época. Apesar da dificuldade não desisti.

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A internet foi uma ótima ferramenta de busca para mim, me ajudou a encontrar um Camp de Shuaijiao em Beijing que aconteceria do dia 12 ao 27 de outubro de 2008. Para minha sorte era um Camp conduzido pelo Mestre Li Baoru. O nome do evento era LI BAORU SHUAIJIAO MASTERS CAMP. Entrei em contato com um dos organizadores, um neozelandês chamado Michael Wix, que me deu todas as informações e fez a minha inscrição no evento.

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Como era o ano dos Jogos Olímpicos de Beijing, a autorização para a realização do Camp não foi liberada pelo governo chinês, então recebi um email sobre o cancelamento do evento. Todo evento realizado em território chinês precisa da autorização do governo para acontecer.

Fiquei decepcionado, mas enviei um email para o Michael perguntando se poderia ir mesmo sem o evento. Ele me respondeu prontamente dizendo que eu poderia ir, mas não haveria certificação. Respondi à ele que não estava buscando certificação, mas conhecimento. Queria aprender mais. Assim, fui à China novamente, só que agora era para aprender Shuaijiao  em uma das escolas mais famosas daquele país.

Fui recepcionado pelo Mestre Kao Chian Tou, que a pedido do Mestre Nereu Graballos me auxiliou em tudo no meu primeiro contado com os Mestres Li Baoru e Ma Jianguo. Fiquei hospedado na casa do Mestre Kao, ao qual sou eternamente grato por essa possibilidade e facilidade de ficar na China com pouco gasto. Permaneci lá por 40 dias treinando na academia do Mestre Ma, sob sua supervisão e também do Mestre Li.

Muito aprendi nesse primeiro contato com o Shuaijiao de Beijing, fiz boas amizades. Lá estavam alunos da Nova Zelândia, Alemanha e Suíça. O conhecimento que trouxe para o Brasil logo fiz questão de compartilhar com os amigos, alunos e professores que trabalham junto comigo. Foi um grande avanço no conhecimento sobre o Shuaijiao e sua cultura, além de novas amizades.

Em 2012 organizei uma nova viagem à Beijing, para continuar o meu aprendizado com o Mestre Ma Jianguo.  Apesar da supervisão do Mestre Li, era ele quem se responsabilizava pelo meu aprendizado. Assim, fiquei treinando em Beijing por mais 21 dias, mas agora na companhia de Enrique Ortega, que viajou comigo por sugestão do Mestre Nereu Graballos.

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Novamente o aprendizado foi surpreendente. O nível dos mestres é muito alto, e realmente me faziam avançar a cada encontro, a melhorar cada vez mais. Mesmo com 79 anos de idade na época, Mestre Li demonstrava uma vitalidade impressionante, fruto de uma vida dedicada ao Shuaijiao.  Eu me sentia uma criança perto dele. O que mais se destacava nos treinamentos era a descontração e a alegria com a qual conduziam as aulas. Essa descontração contagiava e permitia uma intimidade que só favoreceu o desenvolvimento da aprendizagem. Uma lição para toda a vida. Aquele estereótipo do mestre inatingível, que só dá ordens desconexas e sem sentido não fazia parte daquele ambiente. A amizade e a alegria estavam sempre presente. Como não aprender em um ambiente como esse?

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É por essa gama de boas experiências que a terceira viagem à China só está gerando boas expectativas. Novamente estou voltando para treinar e aprender Shuaijiao na fonte, na origem. Mas agora um pouco mais maduro, com um pouco mais de conhecimento, mas sempre pronto para novas aprendizagens e novas experiências. Embarco hoje, dia 20 de setembro de 2014, na companhia de Plínio Tsai, Enrique Ortega e do professor da Unicamp José Júlio Gavião de Almeida. É uma viagem para realizar convênios de intercâmbio entre a Unicamp e três outras universidades chinesas, parte do meu projeto de Pós-doutorado. Mas, o treino de Shuaijiao já está agendado e o Mestre Ma nos aguarda com novos ensinamentos. A expectativa é grande, vamos ver o que nos aguarda. Rumo à China, à Beijing e ao Shuaijiao. Vamos informando vocês no decorrer da viagem. Aguardem.

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