EXPERIÊNCIA DE TREINAMENTO NA CHINA: UMA VIAGEM INESQUECÍVEL A BORDO DO SHUAIJIAO

Júlio Cesar Mafra

Foto retrato academia viagem china

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Vou tentar de forma concisa relatar minhas experiências e motivações nessa viagem a China para estudo e prática do Beijing Shuaijiao ou Beijng Wrestling.  Bem como a proximidade que tive com o universo particular dessa modalidade.

Praticante de artes marciais a mais de 30 anos tendo iniciado no Judô e com formação no Bei Shaolin, Sanda e Taijiquan,  tive oportunidade de conhecer o Shuaijiao através do professor Marcelo Antunes por intermédio do saudoso Mestre Nereu Graballos em 2001.

No ano de 2013 o Mestre Nereu e o professor Marcelo já me convidaram para no ano seguinte realizar tal viagem, mas uma grande tristeza nos acometeu com o falecimento de nosso mentor  e professor.

Passados três anos viabilizamos tal experiência que inicialmente seria três semanas em Beijing graças aos oito anos de treino do professor Marcelo Antunes sob a tutela do Mestre Ma Jianguo. Esse convite foi importante porque a forma tradicional de visitar uma academia de arte marcial chinesa é sendo acompanhado por uma pessoa que já é membro dessa escola.

Enfim, realizaria o sonho de criança de conhecer a China berço das artes marciais, e não só isso, poder ter o privilegio de estar com alguns  dos melhores wrestlers e artistas marciais da China, mais precisamente o expoente da modalidade Mestre Ma Jianguo e o seu formador, uma lenda conhecida como uma biblioteca viva do shuaijiao, o Mestre Li Baoru.

A VIAGEM

Já no aeroporto o professor Marcelo recebe a noticia que haveria uma “mudança no itinerário”, uma viagem a região Autônoma da Mongólia Interior, mas só saberia de detalhes ao chegar em Beijing.

Depois de sei lá quantas horas sentado (acho que de voo umas 25, fora conexões), enfim em terra firme, apenas para viajar mais umas duas horas de metro num calor absurdo do verão chinês sob efeito do jet lag, fizemos a primeira  refeição em território chinês, ótima por sinal, o que parece ser o prato preferido de Beijing, pato assado .

Mestre Ma que eu ainda não havia conhecido pessoalmente avisa que no dia seguinte (domingo) esperássemos com mala e roupa para alguns dias. Que um amigo seu iria nos buscar para fazermos a viagem até a Mongólia Interior.

 

MONGÓLIA INTERIOR

Fomos de carro com dois amigos do mestre Ma Jianguo que seriam nossos guias na viagem, que durou sete horas, sem contar o trânsito de Beijing. A capital é enorme e dividida em seis anéis que se desenvolvem em ordem crescente das proximidades da cidade proibida até os arredores de Beijing.

Chegando ansioso para conhecer Mestre Ma, ficamos a espera dele em um quarto de hotel onde se encontravam outras pessoas que não conhecia. Na espera, chamou a atenção um livro que folheavam entre um gole e outro de chá. Mais tarde conhecemos o autor do livro, um mestre muito famoso e respeitado.

Enfiem fui apresentado ao Mestre Ma Jiaguo que logo nos indicou as acomodações e orientou que descansássemos.

Estávamos em Xilinguele, uma das maiores cidades do Mongólia Interior, e com a oportunidade incrível de presenciar o Campeonato Nacional Universitário Chinês de Shuaijiao de 2016. Este evento contou com a presença de Universidades de Educação Física, Engenharia, Tecnologia e escolas militares de ensino superior com aproximadamente 250 atletas competindo em período de férias escolares do país.

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Presenciamos a oficina arbitragem, a organização do evento, as lutas e algo que descrevo como sensacional, o Shuaijiao ligado a importantes entidades esportivas universitárias e inserido fortemente no mundo acadêmico. Na prática, atletas devidamente organizados, uniformizados e treinados para se testar no Zhōngguó Shuāijiāo ou Wrestling Chinês.

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Meu primeiro treino de wrestling em território chinês foi na Mongólia onde fui sabatinado juntamente com o professor Marcelo pelo mestre Ma Jianguo e pelo o “gigante gentil” Qin, um dos professores de Shuaijiao e amigo do mestre Ma. O treino durou mais de uma hora. A visão aguçada e cirúrgica do Mestre Ma rapidamente detectou pontos a serem trabalhados e seriam por todas as três semanas de treinamento.

Gostaria de destacar um jantar em um acampamento de uma escola de Bokh o Wrestling Mongol versão de Shuaijiao dessa etnia, que fomos gentilmente agraciado pelo o Mestre Ma com a presença de outros famosos mestres como Tung (autor do livro que citei ) e Wang,  além de professores e amigos.

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Após a refeição regada a carne e chá de manteiga fomos conhecer a sala de troféus. Na verdade os prêmios são em forma de colar com diversos lenços presos, cada um deles marca um grande evento vencido, motivo de grande orgulho.

DE VOLTA A CAPITAL

De volta a Beijing o primeiro lugar que fomos um famoso restaurante muçulmano ponto de lembranças e encontros de lutadores e familiares, como de praxe todos foram extremamente acolhedores e terminamos a noite com um jantar muito agradável.

Já havia ouvido de relatos sobre esse restaurante e suas particularidades e realmente fiquei muito feliz de ter conhecido.

Após os sacrificantes treinos na Mongólia iniciamos os treinos em Beijing na academia do mestre Ma, onde fomos muito bem recebidos por todos. Na academia continuamos os trabalhos de estudo de fundamentos e aprimoramento técnico, com o prestativo instrutor Zhang e os demais alunos antigos, todos de um refinamento técnico impressionante onde incluo também o Marcelo sempre muito efetivo e técnico. Nível técnico esse que levava o Mestre Ma a apresentar seu aluno brasileiro a seus colegas mestres, várias vezes, bem como solicitar que demonstrasse os fundamentos durante os treinamentos regularmente.

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Entre treinos de Beijing wrestling quase que diariamente, ensinamentos e cobrança, tivemos um dia de folga. Fomos ao famoso Tiantan complexo de templos taoistas considerado patrimônio histórico pela UNESCO, onde tive a honra de conhecer a lenda viva, o mestre Li Bauru, e um de seus grupos de treinamentos.

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Além da oportunidade pessoal e histórica, fica o registro do altíssimo nível técnico de seus alunos e da constante renovação de gerações.

CONCLUSÃO

Após experiências como oportunidade de vivenciar o ambiente esportivo e institucional do Shuaijiao em tão elevado nível, estar no âmago do estilo Beijing de uma das principais escolas da China, de atestar imenso refinamento técnico, das provações constantes por parte do professor e do ambiente desafiador, finalizo minha imersão no universo do Beijing Wrestling com minhas metas cumpridas.

Na China há a prática de duas escolas predominantes, o Beijing e o Bokh. Além do estilo de Xanghai, mas não na mesma proporção dos dois anteriores.

Algo muito importante vindo do próprio mestre Ma Jianguo é que o Shuaijiao é protagonista, um estilo em si e que não é parte integrante do Wushu (kungfu).

Como professor de Shuaijiao e Wushu/Kungfu observo que cada modalidade tem sua identidade e suas particularidades, existem em universos distintos e não devem ser confundidas.

Como educador físico, a proximidade com o universo da escola é algo auspicioso e revigorante além da adesão das mais diversas camadas da sociedade e faixas etárias a modalidade.

Não poderia de deixar de fazer os meus agradecimentos ao professor Marcelo Moreira Antunes pela oportunidade dessa viagem e experiência que levarei para toda minha vida

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